Sabemos que o artista que está submerso em toda a inovação das tecnologias passa a se utilizar de todos os aparatos disponíveis e necessários a fim de realizar novas experimentações e por assim dizer, criar novas linguagens. Sabemos que a internet é capaz de nos transportar para os mais variados mundos, mas antes mesmo da internet é possível observar a vontade desses artistas de inovar nas suas produções.

E por falar em arte… Você já parou para pensar em como também podemos ver, ouvir sentir e participar do mundo com outros sentidos? Ainda na década de 80, os trabalhos de arte tecnologia realizados constituíam-se da arte comunicação, utilizando-se de aparatos não digitais ou semi digitais, como forma de estabelecer conexões entre diversos artistas de determinadas propostas artísticas. Mas o que nos interessa aqui é como esses artistas começaram a explorar as possibilidades da internet como um novo meio de expressão artística que acaba fugindo do espaço físico.

A arte na rede já na década de 90 dá de certa forma continuidade a algumas ideias e propostas da arte comunicação, mas num contexto eminentemente digital, valendo-se de um recurso rico em possibilidades, a rede.

Os artistas usam da tecnologia já existente a fim de desafiar os seus limites, e acabam levantando questões sobre a relação dos espaços físicos e virtuais, explorando as mudanças da nossa percepção do espaço através de uso de diversas interfaces. Para compreender melhor se faz necessário a utilização e compreensão de alguns termos e assim saber como essas novas experimentações tornaram-se novas linguagens artísticas.

É com a tele atividade nas produções desenvolvidas na rede que os artistas procuram mostrar a destruição de barreiras espaço-temporais, possibilitando uma caminhada entre plataformas e interfaces.

Algumas produções basearam-se no deslocamento dos processos cognitivos e sensoriais transferidos para um telerrobô. Essa arte desenvolveu-se a partir da fusão da arte com tecnologias da comunicação, sendo denominada de arte da telepresença.

Eduardo Kac é considerado pioneiro da arte digital, no campo da tele presença, ele traz a instalação “rara avis”. Essa instalação de tele presença de rede, convida os participantes a experenciarem um viveiro a partir do ponto de vista de uma arara tecnológica. Imagine só… perceber o mundo através dos olhos de um pássaro, parece até poesia de Manoel de Barros!

Outra artista que nos faz observar como a tele presença funciona, é Diana Domingues. Com uma instalação de arte web, o participante é convidado a habitar e atuar em um serpentarium remoto através de uma cobra robô que convive com cobras reais. As conexões permitem imersões e tele ações no campo virtual possibilitando uma nova percepção de mundo.

Outra linguagem surgiu a partir da utilização da rede. A tele observação possibilita a participação do observador a partir de meios de comunicação como web-câmeras, assim pode-se visualizar espaços físicos remotos.
Gilberto Prado em sua web-instalação “depois do turismo vem o colunismo” constituiu um portal monitorado por duas câmera de vídeo conectados à web. Estas câmeras juntamente com spots de luz eram disparadas por sensores dispostos no espaço físico da instalação quando os visitantes passavam pelo portal. A imagem capturada em tempo real era mesclada com as de um banco de imagens e incorporadas ao trabalho sendo disponibilizada instantaneamente. Posteriormente os visitantes remotos, via webcam, podiam “espiar”, monitorar e acompanhar o espaço expositivo pela atualização automática da imagem pelo site.

As tele intervenções permitem a intervenção, pela internet, em algum dispositivo eletrônico situado no espaço físico da cidade.

Gisele Beiguelman na sua obra “Poétrica”, permite que o público escreva suas mensagens em painéis eletrônicos espalhados pelas ruas de São Paulo. Acessando o site pelo computador ou mandando um torpedo SMS o público acaba fazendo parte do processo de criação da obra.

Inúmeras possibilidades surgiram a partir do uso da rede e muitas questões foram levantadas a respeito da autoria, dos direitos dos autores e a propriedade da obra de arte em relação ao espaço da internet – um espaço público onde toda informação pode e será reproduzida de forma que não se pode ter controle.

Como pudemos ver, todas essas linguagens contam com a participação direta do público. Sendo assim, cai por chão a noção de artista gênio. A máquina em si mesma é uma tecnologia digital de transformação de um em outro.

Autores:

  • FABIANO NASCIMENTO CUNHA
  • ISAMARA THAYANE PERES DA SILVA

 

Bibliografia

ARANTES, Priscila. Artemídia no Brasil. In: ARANTES, Priscila. @arte e mídia: perpectivas da estética digital. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2005.