Instalações-Interativas

Experiencias

 

Um diálogo sobre instalações interativas ,e como as novas tecnologias impactam a maneira de fazer arte.

Experiência com instalações interativas são um apelo aos sentidos.

Apesar do meu limitado conhecimento em filosofia, sempre me chamou atenção a dicotomia mente/corpo: a mente superior aos sentidos, o conhecimento, a verdade sendo alcançados somente pela atividade mental reflexiva. Platão, na alegoria da Caverna, nos diz que as percepções sensoriais, são lugares para ilusão. Descartes com sua consagrada afirmação “Penso, logo existo” deixa claro que o pensamento é a única coisa que não permite qualquer tipo de dúvida. A racionalidade é a única forma de processar o conhecimento humano. O corpo e seus sentidos são inferiores a mente.

Falando em sentido, no mundo das artes, a Visão, tem posição privilegiada diante dos outros quatro. Para os filósofos a ideia de contemplar através do olhar é vista como o mais racional e, portanto, a mais próxima da verdade.

Eu, enquanto pesquisadora de arte, enxergo seu importante papel diante dessas afirmações. Será que através dos sentidos não existe conhecimento?

Através de sensações podemos facilmente mudar nossa percepção do mundo. E, no mundo das artes, as INSTALAÇÕES têm como principal papel confrontar esse raciocínio. 

O conceito de instalação surgiu na década de 1960. O mundo contemporâneo sugere uma nova forma de apreciar a arte, onde o espectador adentra a obra. Suas principais características são a ampliação do espaço. Ela precisa instalar-se e apropriar-se do espaço, como se este fosse ela própria.  As instalações foram o primeiro passo para a maior imersão do público. Posteriormente essa conexão se intensifica, nas instalações interativas, em que o público não só invade, como também é parte da obra, e ela está incompleta sem o público.

Dito isto, recentemente tive a oportunidade de visitar uma exposição muito diferente das quais eu estou acostumada, a FILE, que mistura arte e tecnologia. Fiquei um pouco deslocada, porém muito entusiasmada. Lá, encontrei obras como a “Fala” da Rejane Cantoni & Leonardo Crescenti, em que dezenas de celulares eram usados para captar a sonoridades das palavras ditas pelos visitantes, e encontrar palavras similares. A proposta é haver uma conversa dos humanos com as máquinas.

Uma máquina de falar autônoma e interativa, desenhada para estabelecer comunicação e sincronização automáticas entre humanos e máquinas, e entre máquinas e máquinas.
Rejane Cantoni & Leonardo Crescenti - FALA

E também a “Plink Blink”, que é uma instalação interativa, onde 3 pessoas juntas criam musica piscando os olhos. A ideia do artista é usar um impulso do corpo, voluntário ou não, mas que geralmente ninguém pensa a respeito: o piscar de olhos. Os artistas conectaram dois órgãos sensoriais, os olhos e os ouvidos, para criar um ambiente lúdico e singular.

“Plink Blink”, uma instalação de arte interativa, permite que três participantes criem música juntos piscando seus olhos.
Ozge Samanci, Blacki Li Rudi Migliozzi & Daniel Sabio – Plink Blink

Já tinha conhecimento deste tipo de obra como, por exemplo “A cidade legível” do artista Jeffrey Shaw. A proposta desta instalação é fazer com que o espectador, usando uma bicicleta estática posicionada em frente a um telão percorra uma cidade formada por palavras tridimensionais. De acordo com a velocidade que pedala, o ciclista passeia por ruas das cidades de Manhattan, Amsterdã e Karlsruhe, na Alemanha e as frases formadas tem vínculo com a história de cada cidade. Porém, é uma experiência totalmente diferente poder vivencia-las.

Na Cidade Legível, o visitante pode andar de bicicleta estacionária através de uma representação simulada de uma cidade que é constituída por letras tridimensionais geradas por computador que formam palavras e frases ao longo dos lados das ruas.
Jeffrey Shaw - A Cidade Legível

Minha verdadeira reflexão é sobre o distanciamento funcional da mente e do corpo. Todas essas obras proporcionam experiências para os sentidos, para além da visão, e não para a racionalidade e me fazem perceber como podemos ampliar nosso conhecimento sobre o mundo, sobre nós mesmos através de experiências com o nosso corpo. Com as instalações interativas a arte perde o seu caráter contemplativo e passa a ser, além de algo para ser admirado, uma experiência, que marca não pela beleza ou pela técnica apurada, mas pelas sensações que nos causa. 

Além disso, essas obras me fazem refletir sobre as tecnologias e como elas podem ser usadas para fazer arte. A FILE me fez pensar sobre essas novas ferramentas com certo estranhamento, mas também esperança. A arte vai estar presente no futuro. Como exatamente? Eu não sei. Mas diante do que vi, me sinto muito curiosa e ansiosa pelo que estar por vir.

Por : Alex Lima Marinho - Laize De Araujo Rodrigues - Luana Carvalho Pereira.

Projeto de : Prof.Pablo Petit Passos Servio

Arantes, Priscila. Experiências com instalações interativas. In:  Priscila Arantes. @rte e mídia: perspectivas da estética digital .Editora Senac, Ed. 2012. Pg 116.

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