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VICTOR, ESTER E DANIEL
ARTE TRANSGÊNICA

Conhecida como bioarte, ou uma retomada de uma antiga concepção de arte conhecida entre os latinos como ars vivendi, arte da vida, o transgênico na arte surge como uma forma de alteração artificialmente controlada de nossos corpos, de nossas percepções do que é vida, da diluição das fronteiras entre orgânico e inorgânico, a partir de noções e pesquisas biológicas e tecnológicas principalmente nas áreas da biologia molecular e da genética.

“ (…) a arte transgênica é um tipo de arte nova baseado no uso das técnicas de engenharia genética para transferir material de uma espécie para outra, ou de criar alguns organismos singulares vivos com genes sintéticos. As técnicas da genética molecular permitem ao artista construir o genoma de uma planta e de um animal para criar formas novas de vida. A natureza desta arte nova não só está definida pelo nascimento e o crescimento de uma planta nova ou um animal novo, mas principalmente, pela natureza da relação entre o artista, o público e o organismo transgênico”. (KAC, 2007, p.XX)

 

Fonte: Eduardo Kac, História Natural do Enigma [Natural History of the Enigma], flor transgênica, Edúnia, que expressa em suas veias vermelhas apenas o ADN de Kac, 2003/2008.

Uma parte da criação artística contemporânea está se concentrando nesse encontro do artificial com o natural, refletidos pelos debates e avanços científicos recentes como no exemplo acima em que busca decifrar o DNA para então alterá-lo. Outra possibilidade é a simulação da vida a partir de algoritmos genéticos, ou seja, criação de seres com comportamentos semelhantes aos dos organismos vivos com fórmulas matemáticas programadas em computadores. Esses modelos computacionais de evolução desempenham importante papel nos trabalhos que visam a criação de uma vida artificial.

VIDA ARTIFICIAL

No seio do pós humano, onde as descobertas de padrões de comportamentos semelhantes ao orgânico estão também no até então considerado inorgânico, onde o corpo e máquina se hibridizam, surge a necessidade de uma nova área de estudos biológicos: a biologia sintética. Este é um campo de pesquisa voltado para a criação e concepção de organismos semelhantes aos organismos vivos em um ambiente maquínico. Vida artificial denomina os sistemas complexos criados virtualmente mas que assumem comportamentos e capacidades de auto-organização e auto-reprodução. Um exemplo é a versão artificial da Mycoplasma mycoides – bactéria que causa doenças em bois e é conhecida desde o século 19, criada em computador pelo americano Craig Venter introduzindo o DNA sintético em uma bactéria viva. No laboratório, não faz muito mais que se alimentar e se multiplicar. Come como mycoides, vive como mycoides, morre como mycoides, se reproduz como mycoides. Bem, ela é uma mycoides.

(PINOKIO. Adam Ben-Dror y Shanshan Zhou, Nova Zelândia)

As fronteiras entre Vida Artificial e Arte Robótica também são mínimas. Na obra acima, Pinokio é uma lâmpada que ganha vida ao ser ligada, reage ao seu ambiente gestualmente: observa, olha para o meio ambiente e exige a atenção de quem se dirigiu a ele, tentando atrair o espectador com seus gestos. Pergunta-se se Pinokio é apenas uma lâmpada, com utilidade particular e comportamento funcional, ou se em vez disso, configura uma entidade sensível e consciente na comunicação com o seu ambiente.

ROBÓTICA

Pensa-se robótica tanto da criação de máquinas, robôs que apresentem determinados padrões comportamentais, quanto do ponto de vista cibernético, da vida artificial, da hibridização, etc. O fato é que:

Os artistas que trabalham com robótica não podem ignorar as definições mitológicas, literárias ou industriais dos robôs e das formas de vida artificial, também é preciso salientar que estas definições não se aplicam diretamente a qualquer determinado trabalho de arte robótica. Cada artista explora a robótica de forma particular, desenvolvendo estratégias que freqüentemente hibridizam os robôs com outras mídias, sistemas, contextos e/ou formas de vida. (KAC, 1997, p.XX)

 

(CYSP 1, Nicolas Schöffer, 1956. É considerada a primeira escultura cibernética na história da arte. Para este trabalho ele usou cálculos eletrônicos, desenvolvidos pela empresa Philips.)

O artista Stellarc traz em suas pesquisas o desenvolvimento de sistemas híbridos com instrumentos cirúrgicos, próteses e computadores que exploram interfaces diversas com o corpo. Dentre seus robôs protéticos estão Terceira Mão, Braço Virtual, Corpo Virtual e Escultura Estomacal (Stomach Sculpture). Enquanto as primeiras criações citadas são alongamentos mecânicos externos ao corpo, a última consiste numa prótese interna.

STELARC. Terceira Mão.
STELARC. Exoesqueleto

 

Referências bibliográficas

KAC, Eduardo. Signs of Life. Bio Art and Beyond the Mit. 2007.

KAC, Eduardo. Origem e Desenvolvimento da Arte Robótica. In: “Art Journal“, Vol. 56, N. 3, Fall 1997, pp. 60-67. New York.